sobre cripta

“Quem vem cá, que entre consigo, carregando as velhas sempre novas casas de si. Pelos pisos e paredes da vida agora comum se achegam os fins das muitas moradas. Quando, então, ao sumir o último sol, formos terra, água, fogo e ar, nos encontraremos para as boas-vindas de quem já partiu - e que hoje volta a partir.”

O terceiro trabalho do grupo é desenvolvido a partir de uma continuidade da pesquisa em Tanya: experimento para um encontro. Com o avanço da pandemia - que nos trouxe a demanda de, novamente, não apresentarmos um espetáculo presencial -, aprofundamos nossa relação com a linguagem audiovisual a fim de seguir com nossas investigações e encontrar desdobramentos possíveis dentro do universo de Tanya.

As intenções de pesquisa previamente mapeadas, como o corpo, a câmera e a historicidade, presentes no registro audiovisual de lepAp, na videoarte Tanya II e em Tanya: experimento para um encontro nortearam o processo. Por meio de reuniões semanais em plataformas virtuais, apresentamos seminários, compartilhamos referências artísticas de diversas linguagens, com ênfase no cinema (filmes que lidavam com a questão da historicidade, memória e morte), realizamos experimentações, jogos e mapeamos as potências do trabalho. Percebemos que Tanya nos levava a falar sobre nossas relações afetivas com a família, a infância, a morte e a religiosidade, sempre situadas no ambiente doméstico. A casa surgiu, portanto, enquanto ambiente central da investigação dessas questões; além disso, é importante dizer que a decisão de situar a obra dentro de uma casa se deu também pelo contato com esse espaço como local de abrigo, isolamento e memória no momento de pandemia. 

Inicialmente nossos encontros foram realizados de forma remota, onde cada ume morava e jogava com as matérias disponíveis. Mais ao fim do processo, ocupamos uma casa em Colombo-PR, onde criamos morada para as nossas memórias e lar para os nossos encontros. A partir da vivência na locação de filmagem, foram realizadas quatro lives que funcionaram como um peephole, uma fresta, uma greta, pela qual tornou-se possível espiar parte do que havia dentro de nós, dentro da casa que habitávamos.

Era possível entrar, demorar-se quanto tempo se quisesse, ficar do começo ao fim, sair, dar um tempo, retornar, não retornar, voltar só no dia seguinte, só dois dias depois, arrumar as malas e partir pra nunca mais. As portas permaneceram abertas por aproximadamente seis horas em cada dia, totalizando mais de 24h. 

Velar a casa, contemplar o descanso.

Após essas experimentações, a dramaturgia e roteiro foram afinados e novas experimentações foram feitas durante o período de gravação, que durou cinco dias. Cripta é resultado desse projeto.

No jogo entre presenças e ausências, construímos uma habitação que - além de se fazer abrigo - deixou os excessos escorrerem entre as suas fendas. Foi necessário perceber as matérias que fluíam entre os cômodos, e aqueles que os habitavam, para nos deslocarmos com elas, para assistirmos ao lento deslizar das suas gotas e, assim, aceitar o fim. Habitar a casa, afinal, é deixar-se ser habitade também. 

O trabalho foi viabilizado pelo Mecenato Subsidiado, modalidade Iniciante, da Fundação Cultural de Curitiba através do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura, tendo sido aprovado no edital de 2019. A estreia ocorreu em Dezembro de 2021, via canal do Youtube do grupo. 

Ficha Técnica

Criação

TEATRO SECALHAR - Andromeda, Eduardo Camargo, Fernanda Peyerl, Jade Giaxa, Karina Rozek, Milena Plahtyn, Rafael Rodrigues e Vinicius Medeiros.

Performers

Jade Giaxa, Karina Rozek, Milena Plahtyn e Rafael Rodrigues.

Dramaturgia

Vinicius Medeiros

Direção audiovisual, direção de fotografia, operação de câmera, edição e finalização

Eduardo Camargo

Design gráfico

Karina Rozek

Operação de câmera, assistência de fotografia e de direção

Renan Gumiel

Iluminação

Nádia Luciani

Platô, assistência de iluminação e captação de som

Vini Sant

Figurino

Fernanda Peyerl

Maquiagem

Andromeda

Consultoria artística

Francisco Gaspar

 

Preparação corporal

Milene Duenha

 

Direção de arte e direção de produção

Rafael Rodrigues

 

Arte 3D

Renan Gumiel

Contrarregragem

Andromeda, Fernanda Peyerl e Vinicius Medeiros

Produção geral

TEATRO SECALHAR

Apoio

Backbros - Locadora de Câmera

 

Agradecimentos

Fabio Nunes Medeiros, LABIC - Laboratório de Iluminação Cênica FAP/UNESPAR, Pêdra Costa, Pedro Bento de Oliveira e Wash Cavalli

Captação de recursos

Carol Roehrig

 

Incentivo

Uninter